Além dos óleos voláteis obtidos
de plantas (fitogênicos), produtos sintéticos são encontrados no mercado. Esses
óleos sintéticos podem ser imitações dos naturais ou composições de fantasia e
costumam ser muitas vezes denominados de "essências". Para uso
farmacêutico, somente os naturais são permitidos pelas farmacopéias, e no
emprego, dentro da Aromaterapia, jamais devemos fazer uso de criações
sintéticas. Exceções são aqueles óleos que contêm somente uma substância, como
o óleo volátil de baunilha (que contém vanilina). Nesses casos, algumas
farmacopéias permitem também os equivalentes sintéticos e sua ação limita-se
puramente à sua química.
Porém, há drásticas diferenças entre um produto natural e um sintético,
e que creio ser necessário apresentá-las aqui:
- Podemos dizer que não existe
recriação humana que consiga reproduzir com plena perfeição o aroma de um óleo
natural. Em sua maior totalidade, existe uma diferença marcante na composição
química dos óleos naturais e dos sintéticos, o que impede seu emprego quando se
tratar de doenças físicas, pois o uso, como o de ingerir, pode além de não
resolver o problema, ocasionar sérias intoxicações.
- Existe uma diferença que impede
seu emprego de forma psicológica e homeopática: o produto sintético não carrega
consigo a energia da planta, portanto perde sua utilidade terapêutica dentro da
Aromaterapia a nível psicoterapêutico, através de óleos essenciais, pois muitos
dos efeitos energéticos dos óleos se dão não somente pelo seu aroma, mas também
pela freqüência energética e memória que eles carregam. Hoje um problema
freqüente que surge, é um vasto número de pessoas aparecerem falando de
alergias respiratórias causadas pelo emprego de óleos essenciais. Quando
conversamos melhor com estas pessoas, acabamos descobrindo que têm empregado
produtos sintéticos e não óleos essenciais naturais, e o fazem crendo que o
produto que estão comprando é totalmente puro. Quando estas mesmas pessoas, que
antes usavam essências sintéticas, passam a empregar óleos naturais, há uma
diferença marcante em seus resultados e as alergias deixam de existir. Portanto
é importante saber diferenciar o produto que você está comprando para ter
garantia de seus benefícios, e não correr o risco de intoxicar seu cliente.

Devido à importância deste item
vamos agora ver algumas formas de se distinguir um produto natural de um
sintético, bem como um bom produto de um de má qualidade.
Primeiro passo é compreender e
infelizmente ter de aceitar que no Brasil, cerca de 90 por cento dos óleos que
estão no mercado não apresentam mais a sua composição original.
Os produtores de grande parte dos
óleos comercializados não apresentam a identificação correta da planta da qual
o produto foi obtido (nome científico), a parte do vegetal que foi empregada e
a procedência do mesmo. A origem geográfica pode, algumas vezes, auxiliar na
identificação botânica e determinar a composição diferenciada, pois sobre este
fator contamos ainda com a presença de quimiotipos diversos dos óleos, que
surgem de acordo com o tipo de solo, clima e habitat no qual a planta é
cultivada. Um exemplo é o Alecrim que só na França possui dois quimiotipos
diferentes, um cultivado no Sul e outro no Norte.
A colheita da planta e a forma de
extração de seu óleo interferem fortemente na composição química final de seu
produto, portanto é de suma importância tomar conhecimento destes fatores de
modificação. Ter à disposição de seu fornecedor a análise química de seus óleos
é a melhor garantia de se estar adquirindo um produto natural e inclusive poder
saber qual variedade de quimiotipo (variação química) você está comprando.
Pois, conforme falamos, os óleos variam de composição de acordo com clima,
região, tipo de solo, época do ano, etc, o que também poderá, conforme o caso,
diferenciar em muito suas aplicações. Por exemplo, se a camomila (Matricaria
chamomilla) for colhida pela manhã, seu óleo possuirá altos teores em
alfa-bisabolol, seu principal princípio ativo como anti-inflamatório. Porém se
colhida ao fim da tarde, encontrar-se-ão somente vestígios de alfa-bisabolol em
seu óleo.
A adulteração (e mesmo a
falsificação) de óleos voláteis já é conhecida desde os tempos mais antigos,
talvez até desde a época dos ditos "alquimistas". Além da fraude
evidente ao consumidor, dependendo do tipo de falsificação, esta pode acarretar
conseqüências negativas para a saúde do usuário e, portanto, especial atenção
deve ser reservada a esse tipo de problema. Tipicamente, os seguintes
procedimentos são usados para falsificar óleos voláteis:
- adição de compostos sintéticos,
de baixo preço, tais como álcool benzílico ou octílico (de cereais);
- mistura do óleo volátil de
qualidade com outros óleos de menor valor para aumentar o rendimento;
- falsificação completa do óleo
através de misturas de substâncias sintéticas dissolvidas num veículo inerte.
Vemos a dificuldade, mas mesmo
assim, como dito anteriormente, apresento aqui alguns pontos que podem ser
observados na aquisição dos óleos:
- Um óleo essencial jamais será
vendido em vidro transparente, pois em contato com a luz oxida-se com
facilidade, perdendo então suas propriedades terapêuticas. Ao ser adquirido
deve estar conservado em frascos de cor âmbar ou azul cobalto. Mesmo assim,
pode ser encontrado produtos sintéticos sendo vendidos nestes frascos, até
mesmo por seus custos serem menores.
- Os óleos essenciais não possuem
cores extravagantes como roxo, lilás, etc. Somente o óleo de camomila e poucos
outros apresentarão a coloração azulada, pois em sua composição, encontra-se o
camazuleno, o que lhe confere o tom azulado. Por outro lado a tangerina,
laranja e orégano terão a cor alaranjada, o PATCHOULI, a casca de canela e o
vetiver a cor marrom e o cedro de Himalaia e a bergamota a cor esverdeada. Nos
outros casos, jamais se encontrará óleos com cores que vão além do transparente
e do amarelo claro. Normalmente produtos coloridos o são pela adição de
anilinas.
Óleos essenciais não se dissolvem
facilmente na água (são óleos).
Se ao pingar uma gota, a água
turvar-se de branco, isso é um indício de que o produto é sintético. O óleo
natural não se dissolve, costuma boiar quando seu peso é menor que o da água,
ou ir para o fundo como o vetiver ou PATCHOULI que possuem maior peso
molecular.
- Produtos com cheiros alterados,
com odor de álcool ou óleo de cozinha são produtos adulterados e devem ser
deixados de lado, a não ser que sejam vendidos com uma finalidade específica,
como uso na massagem, ou rotulados como diluídos, como acontece muitas vezes
com os óleo de rosa e jasmim, que por serem muito caros, costumam ser diluídos
a uma proporção de 10 ou 20% em óleo de jojoba para baratear seu custo.
- Óleos naturais jamais irão
custar o mesmo preço, pois necessitam de proporções diferentes de matéria-prima
da planta para se produzir óleo, assim como, de acordo com seu país de
procedência, possuirão preços de custo também diferentes (aí entram também
taxas de câmbio, importação e exportação, vigilância sanitária, etc).
Por exemplo, para conseguir-se 1
litro de óleo de eucalipto glóbulus, necessita-se aproximadamente de 30kg de
folhas. Por outro lado, para conseguir-se a mesma quantidade em óleo de rosas
(1 litro), gasta-se de 1 a 3 toneladas de pétalas, o que equivale a 1 hectare
de plantação de rosas. Daí seu preço jamais vir a ser o mesmo que o de um óleo
de eucalipto.
- Os óleos naturais duram mais
tempo na pele, quando empregados como perfumes ou quando utilizados na
massagem, contrário aos sintéticos que não permanecem às vezes mais do que
poucas horas. Esta é a grande diferença entre os perfumes franceses que
utilizam óleos naturais e os nacionais que usam essências sintéticas. Um
perfume francês às vezes chega a manter seu odor sobre a pele até o dia
seguinte.
- Sempre que for comprar seu
óleo, questione sobre a análise química, se o produto é natural e de onde
provém. Quem trabalha com integridade coloca no rótulo do produto o país de
origem, método de extração, data de envasamento ou colheita, parte da planta
que foi empregada na extração e informações sobre quimiotipo, se tiver. Quanto
ao penúltimo item, mostra-se extremamente importante saber-se qual parte da
planta foi empregada para se produzir o óleo, pois por exemplo, se o extrairmos
da casca da canela teremos maior intensidade em aldeído cinâmico (55-75%), um
composto que pode queimar a pele (e que é mais útil como sudorífero e
estimulante), enquanto no óleo extraído de suas folhas encontraremos mais
eugenol (70-90%) (sendo um óleo de maior propriedade anti-séptica). Por outro
lado, retirando-se o óleo de suas raízes, haverá altos teores em cânfora, que
possui propriedades estimulantes na circulação, o que nestes casos diferenciará
em muito as aplicações terapêuticas dos óleos desta mesma planta. Vale frisar
também que existem muitas empresas que colocam o nome científico da planta no
rótulo de produtos sintéticos comercializados como naturais, o que nos leva a
ver que só o nome científico nem sempre identifica o produto como natural, mas
permite saber, no caso de marcas de garantia, de qual espécie de planta foi
produzido o óleo, já que alguns possuem marcantes alterações químicas conforme
espécie e subespécie.
Estas são algumas diferenças
básicas. Jamais se esqueça que, em se tratando de Aromaterapia, qualidade é
tudo e este é um dos grande problemas enfrentados pelos terapeutas. Diferente
dos Florais de Bach, aos quais o terapeuta limita-se a escrever a recomendação
para o farmacêutico prepará-lo, os óleos essenciais e as sinergias preparadas
são pelo próprio terapeuta, daí todo cuidado é pouco para que seu trabalho se
desenvolva de forma satisfatória.